domingo, 6 de junho de 2010

PESSOAS INVISÍVEIS

Há algumas semanas atrás, recebi da Conceição, nossa colega do grupo de Practitioners, uma apresentação com o título QUANDO ME TORNEI INVISÍVEL.

A apresentação fala do descaso que a sociedade e a própria família tem com seus familiares idosos, a maioria das vezes, relegados a um segundo plano, esquecidos; alojados em qualquer canto inútil da casa, como se fossem aqueles "badulaques" que você não quer mais e joga lá.

Uma amiga de minha mãe observou muito bem outro dia, usando o mesmo termo: "Nós que somos mais velhas, passamos pela rua e ninguém olha para a gente. É como se nós fossemos invisíveis".

Sem dúvida, as maiores vítimas desta "invisibilidade" são pessoas idosas, contudo, não são as únicas. Vemos pessoas receberem tratamento similar, simplesmente porque são pobres ou feias.

Em uma sociedade onde a mídia valoriza o belo, a riqueza e o poder, pessoas que fogem à regra começam a ser tornar invisíveis. Acho que no mundo, as coisas sempre foram assim, mas agora, com o enorme alcance da mídia, isto tornou-se muito mais evidente. Quantas pessoas não gastam todo o dinheiro que têm, e até o que não têm, para comprar carros, roupas, celulares e mais um monte de porcarias, apenas para tentarem aparentar algo que não são. Talvez seja o preço a se pagar para não se tornar invisível.

Olhando a mesma coisa sob outra perspectiva, vejo aqueles que são vítimas de pessoas falsas e interesseiras, que em um momento pensam que são apreciadas, mas na verdade são apenas objetos que estão sendo usados. Assim que não têm mais uso, são descartadas, ou melhor, tornam-se "invisíveis". Sobre o tema "Pessoas falsas e interesseiras", que diga-se de passagem, é uma das coisas mais sórdidas que existem, estou escrevendo um texto que em breve estarei publicando neste blog.

Voltando ao assunto, em 2002, um amigo, vizinho do meu condomínio, ganhou R$ 10 milhões na loteria. Dirigiu-se até uma revenda de veículos aqui em São José dos Campos para comprar uma caminhonete. Embora fosse rico, mantinha o hábito de andar vestido de maneira comum. Até hoje me lembro dele contando que mesmo a loja estando praticamente vazia, NENHUM vendedor foi atendê-lo, e quando ele pediu ajuda de um, não recebeu atenção. Acabou comprando o veículo em uma outra loja, de consórcios. Pessoas são julgadas e tratadas pelas aparências.

De que vale alguém ter uma boa aparência, ter dinheiro, se por dentro ela é um verdadeiro "dejeto" humano? Que valores sociais são estes?

Lidamos com seres humanos e não com objetos. Seres humanos que embora possam ser pobres, feios ou "velhos", possuem sentimentos, percebem a maneira "diferenciada" como são tratados, e obviamente, se ressentem disto. Como você se sentiria se isso ocorresse com você? Você ainda vai ficar velho, se viver até lá...

Para mim isto é uma simples questão de respeito humano.

E você, de que forma trata pessoas idosas, feias ou pobres?

( Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )

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