domingo, 31 de outubro de 2010

DIÁLOGO DE SURDOS

Nesta época de eleições, tenho visto discussões acirradas entre pessoas, cada uma querendo convencer a outra que seu candidato é o melhor. Na verdade, o que mais vejo são pessoas tentando impor às outras, a sua opinião.

Contudo, não me refiro só às eleições. Isto vale para quase tudo na vida. Na minha percepção, existem três temas que quando entram em discussão, podem acabar em algo pior do que apenas palavras: religião, esportes (no caso do Brasil, o futebol) e política.

Em PNL (Programação Neuro-Lingüística) costumamos dizer de um modo geral, que para termos um bom entendimento em nossas conversas, a primeira coisa que precisamos estabelecer é um sentimento onde ambas as partes percebam que existe alguma identidade entre si. Entretanto, saiba que as pessoas não são estúpidas, e percebem perfeitamente quando outras estão querendo manipulá-las.

Como você pode criar o sentimento de que existe algum tipo de identidade entre você e a outra pessoa, se logo de início, você diz que não concorda com ela? Hahahaha! Isto é errar no básico! A maioria das pessoas não gostam de ser contrariadas e nem querem admitir que têm falhas.

Para piorar as coisas, a pessoa se sente criticada em suas convicções (valores pessoais) e de imediato, cria uma resistência natural contra a sua idéia. No futuro, mesmo que em pensamento, ela venha a concordar com o que você disse, é bem provável que ela não admita. Lembre-se que isto também pode vir a ser considerado pela outra parte como uma forma de desrespeito.

Quanto mais você insistir em impor suas idéias, pior fica a situação. O "muro" que afasta as partes, fica cada vez maior. O que deveria ser uma simples conversa, transforma-se em um verdadeiro "diálogo de surdos" onde duas pessoas falam e nenhuma escuta o que a outra tem para dizer.

No "calor" da discussão, uma das partes pode começar a perceber algo negativo que não havia percebido antes sobre a outra parte e aí, os prejuízos são maiores. Por vezes chegamos ao ponto de percebemos que poucas coisas temos em comum com a outra pessoa, e neste caso, não existem muitas opções além de se afastar dela. Amizades, namoros e casamentos não acabam assim?

Por outro lado, tenho visto pessoas que trabalham na área comercial, que por força da profissão, evitam "bater de frente" com os outros e sempre dizem que a outra parte tem razão, mas nunca fazem o que a outra parte quer. A coisa fica pior ainda, pois ao mentir, geram uma expectativa que jamais será atendida.

Se você já tem uma opinião formada sobre um determinado assunto, você conseguirá falar naturalmente sobre ele, sem precisar se exaltar, e se definitivamente você não concorda em algo, é melhor evitar conversar sobre aquele assunto.

Temos ainda algumas pessoas que por terem medo de serem criticadas ou mesmo prejudicadas, evitam expor seu ponto de vista. Será que o fato de se reprimirem não irá transformar o problema em uma "bola de neve" no futuro?

Pessoalmente, acredito que se você quer vender sua idéia, primeiro deve criar uma necessidade na outra parte e quase que ao mesmo tempo, estabelecer uma identidade com ela. Sem isso, você não a convencerá de nada.

Ao ler tudo o que escrevi, me pergunto: mas isto não é óbvio? Pode até ser, mas muita gente não se dá conta disto, além do que, estes são erros que cometemos automaticamente, sem perceber.

Nunca é tarde demais para se aprender isto: uma pessoa pode até não lembrar do que você fez para ela, mas nunca irá se esquecer de como você a fez se sentir.

( Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )

Um comentário:

luciana disse...

muito bom Will.. bjs