domingo, 9 de outubro de 2011

OTIMISMO EXCESSIVO

Hoje, por acaso, lembrei da época em que me associei à uma rede marketing "multinível", que vendia produtos alimentares e para a saúde. Acho que ainda é a maior empresa no mundo que vende este tipo de coisa.

Era o ano de 2002, e na ocasião, foi a primeira vez que tomei contato com o enorme "otimismo" que dominava meus colegas que assim como eu, tentavam vender seus produtos para outras pessoas.

Fiquei muito surpreso, pois o otimismo que eles "exalavam" era algo do outro mundo. Quando montei um web site para anunciar a venda dos produtos, minha "supervisora" vivia dizendo para outros que "eu estava fora de controle", dando a impressão de que eu estava vendendo muito. A verdade: Nos poucos meses que me meti as vender estas coisas, não vendi nem um alfinete.

O que eu vi: meus supervisores gastarem o que tinham e também o que não tinham, comprando os produtos e estocando, apenas para conseguir manter sua quota de venda de supervisores.

Na nossa turma de vendedores, conheci também um casal que comprou um veículo BMW usado e mandou "adesivá-lo" todo com o nome do produto. O objetivo disto: impressionar os novos candidatos a vendedores, que quando iam a uma reunião de apresentação da marca e viam um supervisor chegando em um carro destes, cheio de adesivos com o nome da marca dos produtos, tinham a ilusão de estarem entrando em um excelente negócio, onde ganhariam muito dinheiro. Mal sabiam que o proprietário do BMW mal tinha o que comer em casa.

Qual o motivo de eu estar lembrando desta história?

Nada tenho contra o pessoal que participa de marketing "multinível", aliás, eu mesmo, eventualmente, quando encontro algo deste tipo que eu acho que vá dar certo e que os custos não sejam abusivos, eu acabo entrando.

Citei esta história para mostrar o quanto uma pessoa pode se dar mal quando ela não tem os pés no chão.

O otimismo é o "combustível" que nos empurra para frente nos momentos de dificuldade. Ele é um dos fatores que nos faz vencer barreiras.

O otimismo excessivo é insano; ele nos afasta da realidade.

Tive oportunidade de conhecer algumas pessoas que usavam PNL (Programação Neuro-Lingüística) de uma maneira inadequada: mesmo estando com as vidas, digamos, arruinadas, alimentavam a crença de que tudo estava bem. Esta é uma das sensações que os viciados em droga buscam e este é um exemplo típico do mau uso da PNL. Aliás, alguns fanáticos religiosos também cometem o mesmo erro.

Do lado oposto disto tudo, temos os pessimistas... Acho que o grande equívoco do pessimista é achar que as coisas negativas durem para sempre. Assim como o otimismo desmedido, que torna a pessoa uma verdadeira iludida sobre a própria condição, o pessimismo sem fim leva à mesma situação.

Nem o otimismo excessivo e nem o pessimismo "eterno" são bons.

Para mim, ter os "pés no chão" é:
  • Olhar para a realidade como ela é;
  • Observar as tendências de tudo o que lhe cerca naquele instante para tentar perceber para que lado as coisas estão caminhando (com isto você pode se antecipar a surpresas desagradáveis);
  • Fazer um planejamento do que quer alcançar e agir para que aquilo realmente aconteça;
  • Medir o que está acontecendo, para saber se aquilo que você planejou está realmente sendo atingido, e se não estiver, tomar ações para corrigir ou até mudar completamente de rumo.
Sinceramente acredito que uma das piores coisas que pode acontecer a nós mesmos é perder a noção do que realmente está ocorrendo em nossas vidas, e nesse instante, me vem à mente um trecho de uma música que era cantada por B.J. Thomas, onde ele dizia:

"Talvez eu venha a ser as coisas que eu sonho e não as coisas que eu vejo
Talvez eu mude o mundo antes que ele me mude
E talvez minha vida seja sempre tão feliz quanto ela parece ser
Talvez eu aprenda a encarar a verdade e goste da verdade que eu irei encarar
Talvez eu me encontre antes que eu me perca no espaço"

Desejo que você mantenha os pés no chão e tenha muito sucesso!

( Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )

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