sábado, 4 de janeiro de 2014

BRASIL PERDE MERCADO NO ESTRANGEIRO

Esta semana li em um importante jornal de São Paulo, que os produtos brasileiros estão perdendo mercado no estrangeiro.

Há alguns meses atrás já havia lido outra reportagem falando da perda de competitividade dos produtos brasileiros.

Sei que por conveniência, muitos preferem colocar a culpa na oscilação do câmbio, que sem dúvida tem uma parcela de responsabilidade no problema, mas a verdade é que o problema vai muito além desta questão.

No meu entendimento, esta perda de competitividade começa com o alto preço dos produtos brasileiros. Em boa parte, estes altos preços são culpa dos impostos escorchantes cobrados pelo Governo, que os usa para pagar todos os tipos de coisas que se possa imaginar.

Outra coisa que afeta a perda de competitividade é a questão da qualidade. Infelizmente, a prática de políticas efetivas de qualidade ainda tem que melhorar bastante no Brasil, embora reconheça que muitas empresas têm tentado melhorar um pouco neste aspecto.

Outra coisa é o cumprimento de prazos de entrega e outras questões ligadas à logística. Faço minha avaliação baseado em reportagens que leio, fatos que ocorrem na empresa onde trabalho (compro inúmeros materiais para a empresa todos os anos) e fatos que acontecem em minha vida pessoal. Vou ser muito honesto: a única empresa que cumpre o prazo de entrega que combina é uma livraria onde compro meus livros - patético, mas pura verdade. O resto é uma piada. Consigo escrever um livro só com as mentiras e desculpas esfarrapadas que já ouvi, justificando os atrasos nas entregas. Cada uma é mais absurda e ridícula que a outra. Como tenho lidado com centenas de fornecedores, posso afirmar que na maioria deles falta uma ou mais destas coisas: competência, comprometimento com o cliente, organização, disciplina, coerência, ética e outras coisas. Fico imaginando o que as empresas clientes no exterior devem passar na mão destas empresas fornecedoras.

Uma empresa é uma entidade, e por trás dela estão pessoas, cujo comportamento pessoal é trazido para dentro do ambiente da empresa.

Quantos brasileiros você não conhece que são bem preguiçosos?

Quantos não deixam para fazer as coisas sempre na última hora, correndo o risco de não conseguir fazê-las?

Quantos não se acham espertos e pensam que podem levar vantagem em tudo, passando os outros para trás?

Quantos são incapazes de organizar e gerir a própria vida pessoal?

Quantas são irresponsáveis em relação a seus compromissos e simplesmente deixam de cumpri-los?

Quantos são descuidados com os detalhes das coisas, descuido esse que vai causar algum problema no futuro?

Para evitar a influência negativa dos comportamentos pessoais, muitas empresas possuem procedimentos de trabalho, contudo, a natureza de uma pessoa é mais forte do que qualquer procedimento.

O resultado de uma empresa, é o resultado de quem trabalha nela.

Já tive a felicidade de trabalhar durante algum tempo alocado fisicamente em uma empresa na Europa, e posso dizer que a atitude dos europeus que conheci, em relação ao trabalho, é bem diferente da nossa. Os europeus comparavam as coisas entre a empresa matriz e a filial deles aqui no Brasil, e não compreendiam porque que as coisas aqui saíam com qualidade inferior (às vezes muito inferior) e ainda levavam mais tempo para se fazer. As pessoas usavam as mesmas ferramentas, as mesmas matérias primas, tinham o mesmo nível de treinamento e competência técnica.

Repito: O resultado de uma empresa, é o resultado de quem trabalha nela.

Cada um tem o direito de ser aquilo que quer, lembrando apenas que juntamente com a sociedade, sofre as consequências de suas escolhas.

( Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )

Nenhum comentário: