quarta-feira, 26 de outubro de 2016

O GATILHO MENTAL DA RECIPROCIDADE


Hoje vou falar sobre um assunto que, embora conheça desde que fiz meus treinamentos de Programação Neurolinguística há alguns anos, não tenho o hábito de falar. E o assunto é Gatilho Mental, mais especificamente o gatilho mental da reciprocidade.

Primeiro, vou tentar dar uma explicação simples, do que é um gatilho mental. O gatilho mental nada mais é do que um fato que ocorre em sua vida, que desperta de forma totalmente automática, uma reação, normalmente inconsciente, em você. Às vezes, mesmo sem você ter vontade, você se sente “na obrigação” de fazer algo, simplesmente porque alguma coisa se passou. Isto acontece de forma totalmente instintiva, ativando em você algum aspecto emocional ou mesmo social. Veja o que acabou de acontecer comigo...

O motivo de eu ter resolvido escrever este texto: Recebi há poucos minutos um envelope pelos Correios, contendo uma linda bolsa ecológica para compras feita em TNT, acompanhada de um boleto bancário em branco, para que eu efetue um depósito no valor que eu queira, para ajudar uma certa entidade.

O que acabei de relatar, é apenas um exemplo do que considero como uso “não ético” do gatilho mental da reciprocidade. A pessoa recebe um “presente”, e isso dispara um processo inconsciente em seu cérebro, dizendo que ela precisa retribuir de alguma forma, que neste caso, já vem sugerida no próprio conteúdo do envelope recebido: o boleto bancário. Afinal de contas, você aprendeu desde criança que quando recebe um presente, precisa retribuí-lo, não é?

E por quê isto não é ético? Porque eu não pedi e nem autorizei o envio deste produto para mim. Existe uma enorme diferença entre você entrar em um site da Internet, se cadastrar para receber alguma coisa, e receber algo sem pedir. Você não imagina quanta gente cai neste “golpe”.

Quer ver outro exemplo deste tipo de gatilho mental? Algumas pessoas que vendem cursos ou treinamentos on-line (pela Internet) têm costume de oferecer gratuitamente algum conteúdo, quer seja em vídeo, e-book, podcast, webinar, ou qualquer outro meio. Ao receber gratuitamente alguma coisa, muitas pessoas se sentem “na obrigação” de comprar o produto oferecido. Alguns adeptos do marketing digital chamam esta técnica de oferecer uma “isca”, não só para efetuar uma venda, mas para conseguir as informações de contato da pessoa e entupi-la de propaganda depois. Neste caso, você escolheu receber o "presente" e forneceu de livre e espontânea vontade os seus dados.

Um dos usos mais desonestos que vejo deste tipo de gatilho mental é praticado por algumas religiões, que para “arrancar” dinheiro de seus adeptos, usam não só este gatilho mental, mas outras técnicas bastante sórdidas.

Deixo aqui este alerta, para que você tente reconhecer algumas das formas que muitas vezes são usadas para lhe enganar, ou tentar lhe convencer a fazer algo que não deseja, ou que normalmente não faria.

É importante ressaltar que isto não quer dizer que tudo que seja oferecido a você, como e-books, vídeos ou outras coisas, sejam ruins ou enganação; e nem quer dizer que são produtos ou serviços ruins (na verdade muitos são excelentes), e nem que você não deva adquirir estes produtos ou serviços, ou ainda mesmo não contribuir com entidades assistenciais, se assim você deseja.

Apenas fique “esperto”, e sempre lembre do ditado que diz: “Quando a esmola é demais, o Santo desconfia”.

Ah! Já ia me esquecendo de comentar... Sobre a sacola que recebi, coloquei-a de volta no envelope, lacrei-o, marquei no seu verso como RECUSADO, e pedi para devolver para os Correios.  

Texto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho

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