domingo, 5 de abril de 2026

CRIANÇAS, CHUTEIRAS E JOANETES

Crianças, chuteiras e joanetes

Neste texto irei comentar sobre observações que tenho feito em meu trabalho com crianças na Educação Infantil e que talvez possa envolver um aspecto relativo à saúde das mesmas.

No Brasil, a maioria dos meninos sonha em ser jogador profissional de futebol. A prática mostra que realmente trata-se de uma ilusão, pois pouquíssimos conseguem.

Muitas famílias, desde cedo, incutem nas crianças esta ideia. Mandam-nas para a escola com camisetas de times, às vezes até com o uniforme do time de futebol completo.

As escolas insistem que as crianças devem usar o uniforme da escola e para não deixar os pequenos insatisfeitos, as famílias então mandam as crianças com o uniforme da escola mas colocam chuteiras nelas. E permanecem de chuteira desde o início da manhã até o fim da tarde, pelo menos.

Chuteira é um calçado que tem um bico que se afunila, para dar a curvatura adequada para os chutes na bola. É um calçado que de certa forma aperta os pés.

Para jogadores de futebol de verdade o uso da chuteira normalmente está limitado a um tempo de no máximo duas a três horas. Eles não ficam o dia inteiro de chuteira.

Onde quero chegar com esta conversa?

Muito simples: tenho observado que os pés destas crianças que passam o tempo inteiro de chuteira começam a apresentar sinais do que na minha opinião parece ser joanete.

Ressalto que não sou médico, mas observei que coincidentemente os pés dos meninos que usam chuteira constantemente mostram um certo afastamento do dedão do pé em direção aos demais dedos. Você tem a impressão de que o dedão do pé está "entortando" em direção aos demais dedos.

Crianças com cinco ou seis anos de idade já estão apresentando esta situação que relato e para mim isto é um absurdo. Normalmente vejo adultos com uma certa idade apresentando este problema, o que me parece normal, mas em crianças não.

As famílias precisam ter mais consciência e entender que chuteira não é um calçado apropriado para se usar na escola o tempo inteiro.

Escolas deveriam informar os pais que o ambiente de lá não é propício para uso contínuo deste tipo de calçado, mesmo que em algum instante do dia as crianças venham a jogar futebol.

Fica aqui este alerta sobre fatores que podem colocar em risco o bem estar das crianças.

sábado, 14 de março de 2026

MATERNIDADE E AUTISMO

MATERNIDADE E AUTISMO

Hoje vou comentar sobre uma questão que vejo com certa frequência durante minha atuação profissional no momento.

Tenho convivência contínua com crianças autistas em todos os níveis de suporte, principalmente em nível de suporte mais alto, e vejo como é difícil para uma família administrar a vida tendo em seu núcleo uma criança autista.

Meus comentários hoje referem-se a uma situação mais grave, que é o fato de algumas famílias que já têm um filho autista, insistirem em ter ainda mais filhos, mesmo sabendo que a probabilidade deles nascerem com deficiência é altíssima. Na minha percepção, uma completa irresponsabilidade.

Quem já tem um filho autista sabe, ou deveria saber, que se o casal tentar ter mais filhos, existe uma alta probabilidade de que o recém-nascido tenha alguma deficiência também.

No meu trabalho, já me deparei com casos em que a família teve um primeiro filho autista, teve um segundo, também autista, e ainda teve um terceiro filho, também autista.

Eu não consigo acreditar como é que adultos possam ser tão irresponsáveis, tão "sem noção".

Sei que existem aqueles que alegam questões religiosas e continuam tendo filhos. Para estes eu pergunto: quando vocês morrerem a sua religião vai adotar seus filhos deficientes? Se a resposta for "não", talvez esteja na hora de mudar de religião.

O que vai ser desses deficientes depois que os pais morrerem? Será que em algum instante essas pessoas pensaram nisso antes de colocar mais filhos no mundo?

E se essas pessoas tiverem alguma doença repentina que seja grave e vierem a morrer? Como fica a situação dessas crianças?

Vejo pessoas de alto poder aquisitivo sofrendo dificuldades enormes para dar um atendimento minimamente adequado a seus filhos autistas. E aqueles que não têm esta situação financeira tranquila, que tipo de atendimento dão a seus filhos deficientes?

Pior ainda foi o que ouvi outro dia de um pai de criança autista, dizendo que a criança iria "sarar" do autismo em alguns meses. Talvez o que aprendi sobre autismo, tanto na faculdade quanto na prática diária, esteja completamente errado.

Uma coisa que questiono continuamente é como vai ser o futuro destes deficientes depois que os pais morrerem?

Os demais membros da família vão ter que assumir a situação e tenho até medo de imaginar como vai ser.

Quando você tem um filho deficiente, não são apenas você e sua mulher que o tiveram. Toda a sua família (avós, tios, etc) também ganhou legalmente a responsabilidade na eventual falta dos pais.

Faz algum tempo publiquei outro texto falando sobre o FUTURO FINANCEIRO DE CRIANÇAS AUTISTAS, algo que muitas famílias não estão nem pensando, mas que é de suma importância para o bem estar de quem é deficiente de um modo geral.

Não adianta aguardar por ações do Governo em prol dos deficientes, pois isso quase não existe e para quem vive da política, atualmente, não chama a atenção suficientemente para atrair votos.

Fato é que as pessoas que têm filhos autistas precisam ter mais consciência. Se já teve um filho com problema, não deve arriscar e tentar ter mais filhos. Para o filho deficiente, devem buscar terapias e atendimentos que permitam a evolução da criança, alcançando alguma autonomia no dia-a-dia.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

ASILOS OU CORREDORES DA MORTE?

asilos


Normalmente um asilo deveria ser um lugar para acolher pessoas idosas que não têm mais condições de morar sozinhas ou que precisam de cuidados permanentes com a saúde.

Em alguns casos funcionam também como depósito de idosos cujas famílias não aguentam mais a convivência.

Existem asilos que realmente dão dignidade às pessoas que lá estão hospedadas, mas existem outros que não dão nem o essencial. Sobre este aspecto eu acho que precisa haver uma fiscalização constante e efetiva por parte das autoridades.

Meu avô, por parte de mãe, participava da sociedade dos Vicentinos, que por sua vez, mantinha as Casas Pias de Taubaté (SP). Lembro-me de que quando eu era criança, ele várias vezes me levava lá para visitar os idosos e era possível identificar que mesmo vivendo de maneira simples, havia dignidade naquele lugar, e mesmo eu sendo pequeno, achava importante ter aquele tipo de atendimento.

Independente de ser um bom lugar ou não, entendo asilos e casas de repouso como verdadeiros corredores da morte. Quem é colocado lá dentro só vai sair para ir para um outro asilo ou dentro de um caixão para ser velado e enterrado.

Às vezes me pego pensando em como é difícil e triste ser alijado de seu cantinho, sua casa, suas lembranças, da convivência com sua família, para ir morar em um lugar onde você não vai ter qualquer privacidade, tampouco poderá levar os objetos que lhe são caros. É o fim da vida mesmo.

Por isso, deixo aqui um apelo para aqueles que são os responsáveis por cuidar de asilos ou casas de repouso, que tenham consciência e humanidade, principalmente porque se a vida transcorrer normalmente para essas pessoas, algum dia serão elas que vão estar recebendo este tipo de atendimento.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

OTÁRIOS DE FÉRIAS


Verão, época de férias e o povo quer ir para a praia, literalmente, de qualquer jeito, a qualquer custo.
Quando falo a qualquer custo, é qualquer custo mesmo, não importando o quanto tenha que pagar.

Fatos recentes repercutiram na imprensa, sobre dois turistas que foram agredidos fisicamente em Porto de Galinhas (PE) por se recusarem a pagar taxa extra por uso de cadeiras na praia.

Uma reportagem feita por um famoso programa de televisão mostra esta prática abusiva praticada em várias praias de todo o litoral brasileiro.

A verdade é alguns quiosques e barracas de praia estão ocupando ilegalmente a faixa de areia que é de uso público, cometendo ainda abusos na cobrança de clientes.

Na reportagem, repórteres com câmeras escondidas flagraram quiosques e barracas de praia realizando a ocupação da faixa de areia e fazendo cobranças abusivas. Momentos depois, ao se apresentarem como repórteres aos donos das barracas e quiosques, estes últimos negaram descaradamente que havia qualquer tipo de cobrança abusiva, mas a gravação em vídeo já estava feita e não adiantava mentir, o que por sinal é vergonhoso.

A cobrança abusiva existe porque tem otário que aceita pagar, e na minha opinião, turista que permite que outros o explore é um "trouxa", um otário.

As autoridades também precisam cumprir o seu papel e atuar de maneira dura e decisiva contra os maus comerciantes.

Existem várias alternativas para não ser explorado. Basta ter um pouco de boa vontade e deixar a preguiça de lado que o turista pode desfrutar de férias sem ser enganado ou abusado.

Fazer papel de otário é uma questão de escolha e não simples fruto do acaso.