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quarta-feira, 10 de março de 2021

EDUCADOR : AS ONDAS CEREBRAIS DE CADA FAIXA ETÁRIA



Durante este texto uso a palavra CRECHE, mas entenda-se qualquer entidade de ensino infantil.

Que fique claro também que não estou me referindo a nenhuma entidade ou pessoa em específico.

Quero apenas deixar minha opinião sobre um tema que está relacionado com educação infantil.

Quando refiro-me à palavra AGENTE EDUCADOR ou PROFISSIONAL DE CRECHE entenda qualquer profissional que atue em educação infantil: professor efetivo, agente educador, estagiário, professor contratado, etc.

Hoje vou comentar sobre um tema que está ligado a algo que me agrada muito, que é neurociência.

Antes de entrar propriamente no tema, preciso dar alguns esclarecimentos muito importantes, para que o leitor entenda plenamente aonde quero chegar com este artigo.

O primeiro esclarecimento refere-se ao fato de que mais de 95% dos nosso atos, quando adultos, são provenientes de nossa mente INCONSCIENTE ou SUBCONSCIENTE.

O segundo esclarecimento refere-se ao fato de que para programar nosso inconsciente para agirmos de uma determinada forma ou adotarmos algum hábito, precisamos estar em um estado mental em que nossas ondas cerebrais estejam em um ciclo que se alinhem com nosso INCONSCIENTE.

Contudo, as vezes não queremos programar nossas mente para nada, mas mesmo sem querer, podemos estar programando algo na mente de crianças de uma maneira muita fácil, com simples palavras, que quando carregadas de um pouco de emoção, podem fazer um registro na mente inconsciente da criança de forma muito mais forte e permanente.

Quando comecei a aprender sobre neurociência, meu professor informou que tudo pelo que passamos pela vida, até os nove anos de idade, ficará registrado em nossa mente inconsciente. Daí em diante, usaremos estas referências para guiar nosso comportamento e respostas às situações no futuro, inclusive e principalmente quando adultos.

Por estas poucas informações que dei até agora, você já deve imaginar a responsabilidade que alguém que trabalha com crianças tem, principalmente em creches, onde as crianças ficam o dia todo. Será que estas pessoas sabem disto?

Relembrando de outra forma algo que mencionei antes: quantos mais as ondas cerebrais estiverem alinhadas com a mente inconsciente, mais forte será o registro na mente da criança.

Agora vamos "costurar" toda esta informação que já dei, com o assunto deste texto...
  • Ondas cerebrais DELTA, que são aquelas que têm a faixa eletromagnética entre 0,5 a 4 ciclos por segundo, predominam em crianças de zero a dois anos de idade. São as ondas cerebrais do sono profundo, e elas atuam a partir do subconsciente, mesmo que a criança esteja acordada. Tudo que vier para a criança é aceito sem raciocínio crítico, julgamento com pouquíssimo ou quase nenhum tipo de filtragem. Fazendo uma analogia extremamente "tosca", seria como se você estivesse colocando algo diretamente no inconsciente da criança.
  • Ondas cerebrais TETA, que são aquelas que têm entre 4 a 8 ciclos por segundo, predominam em crianças entre dois e cinco anos de idade. São as ondas cerebrais do transe hipnótico profundo, interagindo diretamente com o inconsciente da criança. A sugestão que você dá, a criança assimila em sua mente inconsciente como uma CRENÇA, uma verdade INDISCUTÍVEL. Entenda o poder disto e o quanto uma frase ou atitude inadequada pode comprometer o futuro de uma criança, principalmente se houver carga emocional na sua manifestação. Por estarem, as crianças, conectadas ao seu mundo interior, você agora consegue entender porque elas estão comumente vivenciando um mundo de imaginação. Nesta fase, a capacidade racional e de análise crítica da criança ainda é muito pouca.
  • Ondas cerebrais ALFA, que são aquelas que têm entre 8 a 13 ciclos por segundo, predominam em crianças entre cinco e oito anos de idade. São as ondas cerebrais do relaxamento, de um estado meditativo leve. Nesta fase, a criança parece viver entre a realidade de seu mundo interior e a realidade do mundo exterior - é como se existisse uma "ponte" entre a mente inconsciente e a consciente. A capacidade de compreender o que acontece na vida e concluir coisas baseando-se na experiência obtida começa a se desenvolver.
  • Ondas cerebrais BETA, que são quelas que estão acima de 13 ciclos por segundo, predominam a partir dos oito anos de idade. Nesta fase já existe a competência para se exercer o raciocínio analítico e consciente. Até os doze anos de idade a criança está na faixa de ondas BETA de baixa frequência (13 a 15 ciclos por segundo). A partir dos doze anos, até a vida adulta, as frequências vão aumentando até 50 ciclos por segundo. Via de regra, a ponte que existia antes entre a mente consciente e a inconsciente não existe mais.
Apenas a título de exemplo, não adianta um agente educador trabalhar com crianças de dois a cinco anos de idade (ondas TETA) e reclamar que uma determinada criança "vive no mundo da Lua". Vive mesmo! E é natural da faixa etária dela, é sadio, e a criança não pode ser criticada ou repreendida por isto. É o agente educador que precisa desenvolver competências comportamentais para conviver com isto, e mais, aprimorar seu conhecimento e desempenho para potencializar a experiência que as crianças estiverem tendo.

Por qual motivo falei tudo isto?

Para chamar a atenção de profissionais de creche para o cuidado que precisam ter ao lidar com crianças, e também para alertar gestores de creches para que escolham profissionais com um perfil mais adequado a cada faixa etária.

Quanto mais nova for a criança, maior será o "estrago", e todos precisam estar cientes disto.

É claro que ninguém é perfeito, e dificilmente, até mesmo por conta dos baixíssimos salários pagos, serão encontrados profissionais com este nível de conhecimento e ainda disposição para terem um desempenho profissional adequado.

Ainda assim, a responsabilidade existe e as oportunidades para fazer o que é correto também.

O que você, agente educador, através de suas atitudes, está "programando" na mente das crianças com as quais trabalha?

Quais crenças que você "embutiu" nas mentes delas, que servirão para que elas tenham um futuro melhor?

Desejo um bom trabalho a todos, e vamos oferecer o melhor para as nossas crianças!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

EDUCADOR : A BRINCADEIRA SIMBÓLICA


Durante este texto uso a palavra CRECHE, mas entenda-se qualquer entidade de ensino infantil.

Que fique claro também que não estou me referindo a nenhuma entidade ou pessoa em específico.

Quero apenas deixar minha opinião sobre um tema que está relacionado com educação infantil.

Quando refiro-me à palavra AGENTE EDUCADOR ou PROFISSIONAL DE CRECHE entenda qualquer profissional que atue em educação infantil: professor efetivo, agente educador, estagiário, professor contratado, etc.

Hoje o assunto é a brincadeira simbólica, e embora seja um conceito teórico simples, tive que pesquisar um bocado para encontrar mais detalhes para saber como isto afeta as crianças.

Baseado nas informações que obtive no site do National Center for Biotechnology Information (https://www.ncbi.nlm.nih.gov) uma brincadeira simbólica envolve um objeto qualquer que é usado para representar outro objeto ou um acontecimento.

Consultando uma tese de doutorado que encontrei na biblioteca eletrônica da Florida State University (https://fsu.digital.flvc.org), encontrei mais de uma dezena de definições para brincadeira simbólica além de definições para brincadeira funcional e exploratória.

Para tentar deixar mais claro, durante uma brincadeira simbólica, crianças "transformam" um objeto em algo que ele não é, por exemplo uma bolacha torna-se a roda de um carro na mente da criança, ou então atribuem uma capacidade a um objeto que ele não tem, como por exemplo segurar nas mãos de um urso de pelúcia um alimento, como se o próprio urso estivesse segurando ou fosse comer aquilo.

A brincadeira funcional é aquela em que a criança usa o objeto como ele é, com a função que ele tem - um carro é um carro.

A brincadeira exploratória é aquela em que a criança explora o ambiente em todos os aspectos, a si mesma e suas sensações, construindo algum tipo de conhecimento não formal para ela.

Em outro texto que escrevi sobre fazer a "escuta" da criança (veja o texto FAZENDO A "ESCUTA" DAS CRIANÇAS), mencionei formas de interagir e perceber o que está acontecendo com a criança, principalmente neste momento de pandemia de COVID-19.

O foco aqui é a brincadeira simbólica como mais um instrumento para fazer esta "escuta" quando as aulas voltarem, já que através dela a criança pode exteriorizar o que ela está sentindo, o que ela está vivendo, não só naquele momento, mas também em sua casa, com sua família.

Ter um espaço para que a criança possa fazer suas brincadeiras simbólicas neste momento é fundamental, pois é através destas brincadeiras que ela irá expressar os conflitos que ela está vivendo.

A criança de creche não tem idade suficiente, tampouco habilidades para concatenar pensamentos, ideias e sentimentos para conversar com um agente educador sobre o momento que ela está passando.

A brincadeira simbólica é a maneira mais fácil que ela tem para colocar tudo para fora.

Para isso, disponibilizar recursos como bonecos, papel e canetas coloridas vai ajudar a criança a desabafar. Observe uma criança brincando com bonecos e você vai entender muita coisa. Aprendi recentemente que este mecanismo coadjuvante usado para que a criança extravase suas frustrações de forma mais apropriada é chamado de "desvio simbólico". É mais apropriado porque uma outra forma dela extravasar suas frustrações é batendo nos colegas, estragando as coisas na sala, etc, e saiba que quanto menor for a criança, mais ela vai fazer isso.

Ter um lugar para as crianças praticarem brincadeiras simbólicas permite que elas se expressem sem precisar agredir alguém ou estragar algo.

É claro, que dentro de seu papel, o agente educador precisa estar muito atento ao que vir, sem tentar moldar nada dentro de sua percepção. Apenas assistir o que a criança está manifestando, sem intervir.

Havendo abertura ou necessidade, ele deve interagir com a criança, principalmente questionando sentimentos e desejos.

Antes da pandemia de COVID-19 eu já percebia que uma creche oferecia inúmeras oportunidades para quem quer ajudar uma criança de alguma forma. Agora, teremos uma oportunidade diferente a cada minuto. Cabe ao agente educador ter a boa vontade para fazer com que isto se torne realidade.

Desejo um bom trabalho a todos, e vamos oferecer o melhor para as nossas crianças!

Para você que trabalha em creches, deixo a dica de um livro interessante:


domingo, 10 de janeiro de 2021

EDUCADOR : FERIDAS EMOCIONAIS


Durante este texto uso a palavra CRECHE, mas entenda-se qualquer entidade de ensino infantil.

Que fique claro também que não estou me referindo a nenhuma entidade ou pessoa em específico.

Quero apenas deixar minha opinião sobre um tema que está relacionado com educação infantil.

Quando refiro-me à palavra AGENTE EDUCADOR ou PROFISSIONAL DE CRECHE entenda qualquer profissional que atue em educação infantil: professor efetivo, agente educador, estagiário, professor contratado, etc.

A "conversa" de hoje é direcionada a qualquer pessoa que interaja com crianças, principalmente parentes.

Há vários anos realizei uma série de cursos relacionados à Neurociência e Programação Neurolinguística, e logo no primeiro curso aprendi como uma criança pode ter seu futuro comprometido em alguns aspectos. Na época foi usado um cenário onde adultos tinham que falar em público, para uma platéia de aproximadamente 50 pessoas, que eram outros alunos do mesmo curso.

Algumas destas pessoas ficavam apavoradas e chegavam a chorar copiosamente, por medo de falar diante de outras pessoas. Após passarem por uma técnica de Programação Neurolinguística, o cenário modificou-se. Cerca de 24 horas depois, aquelas mesmas pessoas que estavam mais apavoradas, pediram licença ao instrutor do curso, pegaram um microfone e foram falar diante de toda a classe. Acredite ou não, este é um dos poderes da PNL. O mais importante de tudo é entender como é que um adulto foi influenciado por coisas que ocorreram no passado, quando eram bem pequenos, a ponto de terem um impacto em suas vidas no presente.

Espontaneamente estas pessoas relatavam experiências similares ocorridas durante a infância: eram bem pequenas, o pai ou mãe chegava em casa, estava ocupado com alguma coisa, como por exemplo fazendo a janta ou assistindo à televisão, a criança queria conversar ou contar algo e repentinamente o pai ou mãe simplesmente gritava com a criança mandando ela calar a boca. Uma conduta simples e estúpida causou um problema na vida de um futuro adulto.

Vamos aprender um pouquinho como este tipo de "trauma", chamado de FERIDA EMOCIONAL, acontece.

Em qualquer situação da vida estamos recebendo constantemente informações do mundo que nos rodeia através da visão, olfato, audição, paladar e tato. Quando estas informações são trabalhadas pelo cérebro, elas geram algum tipo de sentimento. Todo sentimento gera algum tipo de reação química no corpo, e este último consegue detectar as alterações químicas mais fortes, geradas por sentimentos mais fortes. Automaticamente o cérebro fica muito atento ao ambiente externo, percebendo o que causou tremenda sensação. Por conta da intensidade do ocorrido, estas informações sobre estas experiências ficam registradas química e neurologicamente em você, e no futuro, quando passar por situação emocionalmente similar, isto vai fazer com que você se lembre perfeitamente da sensação que teve no passado, repetindo também a mesma atitude de resposta. A associação da experiência vinda do ambiente externo com a sensação interna impactante que você teve gera este registro negativo, também chamado de FERIDA EMOCIONAL.

Vale lembrar ainda que uma pessoa está "condenada" a viver toda uma vida com esta FERIDA EMOCIONAL, e todas as limitações trazidas por ela, caso não receba ajuda

Sabendo como isto acontece, e principalmente as prováveis consequências para o futuro da criança, é obrigação de toda pessoa que interage com uma criança evitar de todas as formas possíveis a geração de uma FERIDA EMOCIONAL. Como causadores deste tipo de problema, em primeiro lugar temos os parentes e depois ambientes de convivência como escolas, locais religiosos, associações, eventos e clubes.

Para evitar causar uma FERIDA EMOCIONAL em uma criança é muito simples. Basta ficar atento ao seu comportamento enquanto interage com ela ou diante dela. Evite gritar com ela, mostrar uma feição de raiva, desdenhar dela, pois isto aumenta a carga emocional e por consequência a força daquilo que ficará "registrado" na experiência de vida dela.

As FERIDAS EMOCIONAIS podem ser dos mais variados tipos e alguns deles podem ser facilmente identificados em uma criança, como por exemplo o medo de fracassar. Uma criança tem este tipo de medo porque já sentiu-se severamente criticada no passado quando tentou fazer algo, não conseguiu e alguém recriminou-a, humilhou-a ou fez qualquer outra coisa que gerasse algum sentimento extremamente negativo. Além da reprovação ou da crítica mordaz, uma das piores coisas que você pode dizer para uma criança é: "eu te amo mesmo você não tendo conseguido fazer isso".

Para ajudar a curar qualquer tipo de "ferida", você precisa entender o que aconteceu e, de forma honesta e sincera, elogiar e valorizar os acertos da criança dentro do contexto envolvido. Criança não é "tonta" e consegue perceber perfeitamente quando você está sendo sincero ou quando está sendo hipócrita. Elogios também não podem ser excessivos e sem motivo justo, pois têm o efeito de banalizar toda a situação, inclusive desvalorizar elogios sinceros que foram ditos no passado, além de concorrer para a formação de uma personalidade narcisista.

E para entender o que aconteceu, antes de tentarmos curar alguma "ferida" precisaremos realizar de forma magistral a "escuta" das crianças (veja mais detalhes no artigo FAZENDO A "ESCUTA" DAS CRIANÇAS).

Em minha mente fica um questionamento: Durante a pandemia de COVID-19, quantas FERIDAS EMOCIONAIS foram causadas nas crianças que ficaram o tempo todo em casa com seus parentes? Se inúmeros casais estão se divorciando no mundo inteiro por conta do convívio excessivo, imagine o que pode estar acontecendo com as crianças. Conforme estatísticas, o índice de violência contra crianças e também contra mulheres aumentou neste período.

O momento atual trouxe para aqueles que trabalham na área da Educação uma responsabilidade ainda maior. Mais do que uma responsabilidade, o profissional deve entender isto como uma verdadeira chance de colocar em prática as competências que alega ter, assim como desenvolver novas. Temos novas e desafiadoras oportunidades.

Desejo um bom trabalho a todos, e vamos oferecer o melhor para as nossas crianças!

Para você que trabalha em creches, deixo a dica de um livro interessante:

domingo, 8 de novembro de 2009

AMIGOS SÃO ESTRADAS


Minha amiga Alexandra, do nosso grupo de Practitioners enviou esta mensagem muito legal. O autor é desconhecido:

"Certos amigos são indispensáveis, simples como aquela estradinha de terra no interior, onde do alto da colina podemos avistá-la inteirinha, sabemos onde podemos ir e onde podemos chegar, são transparentes e confiáveis.

Outros, acabaram de chegar, como estradas que só conhecemos pelo Guia, e vamos nos aventurando sem saber muito bem seus limites, é um caminho desconhecido, mas que vale a pena trilhar.

Tem amigos que lembram aquelas estradas vicinais, que pouco usamos, pouco vemos, mas sabemos que quando precisarmos, ela estará lá, poderemos passar e cortar caminho, mesmo distantes, estão sempre em nossa memória.

Por certo, também existem "amigos" que infelizmente, lembram aquelas estradas maravilhosas, com pistas largas e asfalto sempre novo, mas que enganam o motorista, pois são cheias de curvas perigosas, e quando você menos espera, é traído pela confiança excessiva.

E existem amigos que são como aquelas estradas que desapareceram, mas que sempre ligam a nossa emoção até a saudade, saudade de uma paisagem, um pedaço daquela estrada, que deixou marcas profundas em nosso coração. Foram mas ficaram impregnados em nossa alma.

E na viagem da vida, que pode ser longa ou curta, amigos são mais que estradas, são placas que indicam a direção, e naqueles momentos em que mais precisamos, por vezes são o nosso próprio chão.

Amizade é amor, respeito e parceria. E é muito simples."
( Foto : Wilson Luiz Negrini de Carvalho )