sábado, 14 de março de 2026

MATERNIDADE E AUTISMO

MATERNIDADE E AUTISMO

Hoje vou comentar sobre uma questão que vejo com certa frequência durante minha atuação profissional no momento.

Tenho convivência contínua com crianças autistas em todos os níveis de suporte, principalmente em nível de suporte mais alto, e vejo como é difícil para uma família administrar a vida tendo em seu núcleo uma criança autista.

Meus comentários hoje referem-se a uma situação mais grave, que é o fato de algumas famílias que já têm um filho autista, insistirem em ter ainda mais filhos, mesmo sabendo que a probabilidade deles nascerem com deficiência é altíssima. Na minha percepção, uma completa irresponsabilidade.

Quem já tem um filho autista sabe, ou deveria saber, que se o casal tentar ter mais filhos, existe uma alta probabilidade de que o recém-nascido tenha alguma deficiência também.

No meu trabalho, já me deparei com casos em que a família teve um primeiro filho autista, teve um segundo, também autista, e ainda teve um terceiro filho, também autista.

Eu não consigo acreditar como é que adultos possam ser tão irresponsáveis, tão "sem noção".

Sei que existem aqueles que alegam questões religiosas e continuam tendo filhos. Para estes eu pergunto: quando vocês morrerem a sua religião vai adotar seus filhos deficientes? Se a resposta for "não", talvez esteja na hora de mudar de religião.

O que vai ser desses deficientes depois que os pais morrerem? Será que em algum instante essas pessoas pensaram nisso antes de colocar mais filhos no mundo?

E se essas pessoas tiverem alguma doença repentina que seja grave e vierem a morrer? Como fica a situação dessas crianças?

Vejo pessoas de alto poder aquisitivo sofrendo dificuldades enormes para dar um atendimento minimamente adequado a seus filhos autistas. E aqueles que não têm esta situação financeira tranquila, que tipo de atendimento dão a seus filhos deficientes?

Pior ainda foi o que ouvi outro dia de um pai de criança autista, dizendo que a criança iria "sarar" do autismo em alguns meses. Talvez o que aprendi sobre autismo, tanto na faculdade quanto na prática diária, esteja completamente errado.

Uma coisa que questiono continuamente é como vai ser o futuro destes deficientes depois que os pais morrerem?

Os demais membros da família vão ter que assumir a situação e tenho até medo de imaginar como vai ser.

Quando você tem um filho deficiente, não são apenas você e sua mulher que o tiveram. Toda a sua família (avós, tios, etc) também ganhou legalmente a responsabilidade na eventual falta dos pais.

Faz algum tempo publiquei outro texto falando sobre o FUTURO FINANCEIRO DE CRIANÇAS AUTISTAS, algo que muitas famílias não estão nem pensando, mas que é de suma importância para o bem estar de quem é deficiente de um modo geral.

Não adianta aguardar por ações do Governo em prol dos deficientes, pois isso quase não existe e para quem vive da política, atualmente, não chama a atenção suficientemente para atrair votos.

Fato é que as pessoas que têm filhos autistas precisam ter mais consciência. Se já teve um filho com problema, não deve arriscar e tentar ter mais filhos. Para o filho deficiente, devem buscar terapias e atendimentos que permitam a evolução da criança, alcançando alguma autonomia no dia-a-dia.

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